terça-feira, fevereiro 10, 2009

Querido Diário,

Essa semana eu estou de saco cheio. Uns dois litros de rivotril e muito tempo disponível para usufruir dos efeitos do remédio me fariam muito feliz.
Dinheiro também não seria de todo ruim. Aliás, seria muito, muito bom.
É engraçado que quando meu telefone toca, nunca é ninguém dizendo que ganhei algo, que fui sorteada em algum concurso do qual sequer lembrava de ter participado, que ganhei uma herança inesperada de um parente que eu também não sabia que existia ou que tem um cheque de 7 milhões nominal a mim. É sempre algum problema novo ou a C & A me cobrando a fatura do mês passado. O que ninguém entende é que, além de ganhar pouco, eu bloqueei a senha do meu cartão sem querer e não consigo ter acesso ao meu próprio e raro dinheiro.

Eu mereço férias. E em troca disso, o que a vida me dá? A volta as aulas.
Eu devo ter colado Trident de canela na cruz na minha última encarnação.
Aliás, devo ter colado não só um, mas uma caixa inteira de pacotes de Trident de canela.
É, eu adoro Trident de canela. Eles também gostam de mim. Por essa razão, é óbvio que se houver chance, eu vou cochilar no ônibus com um deles na boca e vou acordar assustada, toda babada e com um deles colado no meu cabelo, tamanha a sorte que me ronda.

Eu tenho mil e três assuntos para escrever, mas quando você está se aproveitando do horário de almoço da chefe que fica o dia todo com os olhos azuis colados no seu monitor, não é uma boa idéia ficar elaborando textos complicados, de idéias sensacionais.
Por isso, resolvi soltar um belo desabafo.
Não que isso arrebanhe leitores. Não que exista alguém muito interessado em saber que a frase que mais se passa na minha cabeça diariamente é 'Heil Hitler'. E pensar que eu nem posso explicar aqui por quê. E pensar que eu peguei dois super hamburgueres no almoço e não consegui comer tudo. Ai que desperdício.

E pensar que eu fico aqui só pensando, enquanto eu queria estar desmaiada na minha cama, com o ventilador ligado. E pensar que eu tenho guardado tudo para mim, enquanto meu organismo inteiro esperneia, implorando para eu berrar, gritar, me descabelar e deixar sair tudo que eu tenho guardado. Eu consigo ouvir as minhas células se organizando em um motim contra mim mesma. Vocês estão ouvindo?

Por que demônios eu não sou escritora? Por qual razão eu não publico um livro? E um livro bom, claro. Por que motivo eu não fico rica? Por que eu não posso escolher?
Argh. 13h54. Eu deveria estar preocupada com o horário, por que é nessa hora que o almoço dos outros terminam. Mas é claro que eles nunca chegam no horário. Mas o problema é que elas chegam. Demoram, mas chegam.
Eu devo ter colado muito Trident de canela na cruz.


beijosdesabafei ;*
Diandra Arbia

4 palpites bem-vindos!:

Gabbis disse...

eu ouço os motins!!!

Heloisa Moraes disse...

Oun, amica, cara acompanhante gulosa dos almoços, e em breve, da ACM.
Taque fogo no Terceiro Reich.
Converse com gringos.
Deite na grama.
Alimente uma doninha.

Acredite, tudo passa e tudo muda, até a uva e a bermuda. Aguarde e confie. Enquanto a maré não baixa, conte comigo para besteiras alimentícias, livrescas e vampirescas.

um beijo,

Denise disse...

Ah, eu adorei seu blog. E eu tb todesacocheio.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Dinheiro não é tudo, mas é 100 por cento. rsrs
Não, minha filha, dinheiro só escraviza. Por mais que o pós-tudo tenha decretado o fim da história, o triunfo do capital, e a falência das utopias: com certeza, o sucesso financeiro nunca foi e nunca será sinônimo de felicidade.
Felicidade é família, comunidade fraterna, fé ponderada por muito estudo religioso.
Não há o que se inventar. A Filosofia humana é bobagem, já disse o Shakespeare. A escola alemã é loucura, e eu li Kant, Schopenhauer e Nietzsche: não compensa.
Segue Cristo, basta.
Faz teu trabalho, não pensando no dinheiro nem na chefe nem em preservar o emprego nem em ampliar o currículo. Faz teu trabalho como maneira concreta de vivenciar teu amor a Deus.
Com o tempo, você vai ser feliz.

=D
Marcos