quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Já se vão mais de três anos

O fato é que eu nunca pensei que você pudesse um dia me deixar. Não imaginei, nem por um minuto, que você pudesse não estar por perto. Sempre tive a certeza de que você faria parte dos momentos mais importantes e difíceis da minha vida. Tinha muita convicção quando imaginava que você sempre estaria lá para mim, para quando eu precisasse. A ideia da minha vida sem você era simplesmente inconcebível.

Não achei que isso pudesse ser alguma face oculta do meu egoísmo, afinal, em todas as incontáveis vezes em que você precisou de mim, era ao seu lado que eu estava. E se existissem milhares de quilômetros entre nós, como chegou a acontecer, eles não significariam nada, pois de uma forma ou de outra, era ao seu lado que eu estaria, te apoiando, levantando sua moral e te dando a mão para ultrapassar os caminhos mais difíceis.



Abri mão de muitas coisas por você. Acabei me afastando de muita gente querida e que se importava comigo, pois te transformei em uma prioridade na minha vida. Tínhamos tantos momentos bons, que acreditava que só você me bastava. As nossas lembranças já eram incríveis e, de alguma maneira, sempre conseguíamos criar novas e acumular ótimas histórias das quais nos lembraríamos dentro de alguns anos, rindo com saudade.

Vivíamos uma pela outra. Ou talvez, eu vivesse em sua função sem perceber. Mas a verdade é que eu nunca me importava. Se fosse pra ser de verdade, não me incomodaria em me doar 100%. Sempre que você precisava de mim, não importava o que eu estivesse fazendo, eu parava tudo e tratava de te escutar, te acalmar, te fazer rir. Descobri uma psicóloga incrustada em mim e, durante muito tempo, sempre te ajudei a interpretar e resolver os seus problemas, esquecendo às vezes dos meus próprios.

Por essas e outras, nunca imaginei que um dia você não estaria comigo. Nunca imaginei precisar de você, sem poder contar. Jamais pensei que eu tivesse passando por todo tipo de coisa sem você saber e participar ativamente de cada detalhe. Não existiu um dia sequer em que eu nos enxerguei distantes e vi meus dias passarem sem que eu tivesse a menor ideia do que pudesse estar acontecendo contigo.

E em momento algum eu pude imaginar você conseguindo viver bem sem precisar de mim.

Já se vão mais de três anos e eu ainda não me acostumei com isso. Não me acostumei à sua ausência. Não consigo evitar pensar no quanto gostaria de compartilhar certas coisas contigo. Não consigo evitar imaginar qual seria a sua reação frente a certas situações. Não posso me impedir de sentir sua risada ecoando dentro de mim.

Por mais que eu tente me conformar, uma parte muito grande de mim não consegue aceitar. Como foi que isso pôde acontecer? Você cresceu? Também cresci, mas não precisei, em nenhum momento, excluir você da minha vida.

Já se vão mais de três anos e suas fotos continuam no meu mural, penduradas na parede roxa do meu quarto. Mais de três anos e vez ou outra eu tomo coragem e decido te ligar. É raro, mas às vezes faço isso. Sempre com aquela pontinha quase imensa de sentimento dentro do meu coração, aquele frio no estômago, aquela sensação gelada subindo pela espinha: é a esperança. Confesso que me iludo todas as vezes que disco seu número. Quando falo "ooooi" você pergunta "quem é". Não sabe mais quem eu sou. Não me reconhece. Não me conhece.

E vez após vez, desligo o telefone desolada, com um só pensamento na cabeça: como foi que isso aconteceu? Quando foi que nos tornamos estranhas completas? Nós, a dupla imbatível, aquelas que se confundiam, as melhores. Onde começava você e onde eu terminava? Quem é que tinha feito aquilo? Eu ou você? Muitas foram as vezes em que eu não conseguia definir porque eu era você. E você era eu.

Jamais existiria uma parceria como aquela. Estaríamos juntas para sempre. E aquilo bastava.

Acontece que não bastou. Acontece que eu não consegui ser o suficiente e, como um arquivo de computador, você me deletou. Aos poucos, como que tentando fazer aquilo de um modo imperceptível, como que tentando me impedir de perceber. Mas há mais de três anos eu percebi e nunca consegui entender.

Ainda não consigo aceitar, não consigo pensar em tudo o que passamos e em como tudo aquilo não serviu para nada. E quando vejo o quanto me enganei, considerando você sempre como a melhor de todas.... aquela que nunca me deixaria, vejo que você fez questão de ser mais uma. E algumas daquelas pessoas que afastei enquanto pensava que seríamos eternas, sem precisar de mais ninguém, fizeram questão de nunca ir embora. E nessa hora percebo que talvez tenha valorizado as pessoas erradas. A pessoa errada.

Já se vão mais de três anos e você sequer conheceu a pessoa que é a mais importante da minha vida hoje. E, ao menos nesse momento, penso que ainda bem que não é mais você. 

E o pior de tudo é que, para mim, você ainda é a melhor. Ainda é minha melhor. E já se vão mais de três anos e não consigo não desejar todos os dias que nada tivesse mudado. É isso o que me dá mais raiva. Não consigo seguir minha vida entendendo que você não está mais aqui e sem sentir um buraco imenso faltando. Não consigo não querer que tudo seja diferente. E não consigo não esperar por você. Não consigo não desejar que você caia na real e entenda. Não consigo não ter vontade de te ligar para tentar mais uma vez.

Mas a verdade é que, cada dia que passa, me restam menos forças para passar por tudo isso. Menos forças para lutar, para te esperar em nome de um passado lindo. E é duro saber que a cada dia que passa eu te conheço ainda menos. Pensar e planejar meu futuro sem um espaço para você vem tornando tudo ainda mais definitivo e mais difícil. Porque tudo aquilo que planejamos e imaginamos está acontecendo. E você não está aqui para ver. E dói pensar que agora você não reconhece mais minha voz. Mas amanhã pode ser que você passe por mim e sequer saiba quem eu sou. Quem eu fui. Porque, sem você, eu não sou mais a mesma.

3 palpites bem-vindos!:

Mah (Mayra Lobão) disse...

É tão triste isso, sinto o mesmo em relação à maioria das melhores amigas que tive, e recentemente estou passando por isso com aquela que eu achava q seria minha melhor amiga pra sempre... Cadê aquela historia de que amizade é para sempre? =/

Beijos

Jéssica Cruz disse...

Sabe porque temos coragem de brigar com nossas verdadeiras amigas? Porque sabemos que não importe quanto tempo passa, mas elas estarão sempre lá para quando realmente precisarmos.
Alguém uma hora terá que ceder, pode ter certeza!

varandasazuis (ania n. lepp) disse...

Seus textos tocam a alma...calam fundo, parabéns por tanta sensibilidade!

abraçs...