sábado, abril 12, 2008

Boa noite, o jornal fica por aqui.

Sempre vemos a nós mesmos como vítima de maldade. Mas quando algo realmente cruel acontece, como no caso da empresária que torturava a garota de 12 anos "pra educar", arrancando as unhas, queimando, quebrando dedos na porta, picotando a língua com alicate, entre outros meros detalhes que ilustram a verdadeira crueldade, percebemos que a palavra expressão 'mau' e todas as vindas dela estão banalizadas.

Porém, pior que banalizar a palavra é banalizar as ações fruto de verdadeiras maldades.
À época do caso do menino João Hélio, a nação ficou comovida e completamente estarrecida. Nos dias de hoje, pouco mais de um ano depois, ninguém mais se lembra do pequeno de 6 anos que tinha só a vida inteira pela frente.

Tenho algumas lembranças de infância onde assistia casos na TV de bebês abandonados em latas de lixo. Cresci com histórias do tipo, mas em 2006 com a história da mãe que jogou o próprio bebê na lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, acabei por extrapolar meus limites de espanto.
Na faculdade, sempre dizem que jornalista não pode perder a capacidade de se espantar, sensibilizar, revoltar, surpreender. Eu vou além: acho que todos os seres-humanos, e não apenas os jornalistas, deveriam preservar essas capacidades. Se assim fosse, com certeza a sociedade não permitiria que crimes tão horrorosos fossem esquecidos e tornassem a se repetir.
Se fosse assim, eu não ouviria, na fila para comprar o pão, um senhor comentar para um adolescente sobre o caso da Isabella Nardoni e o garoto responder: "Ah, mais um? Toda semana acontece algo assim".

O garoto pode ter crescido em meio a histórias cada vez mais macabras e violentas, e cada vez mais freqüentes, mas com certeza, a dor das mães de Isabella e João Hélio, por exemplo, foi única e não terminará com a próxima notícia de crueldade vindo à tona nas capas de revistas. Com certeza, dor assim não acaba com o fim do telejornal.


Pauta para o Site "De mãos dadas com o mal?"
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12/04/2008, 18h13: Comentário pós leitura do Pinklipstick.
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"O mesmo mundo onde contos de fadas inspiram gerações, pregando o amor ao próximo, a caridade, a bondade e tudo mais é o mundo onde crianças fofas são tacadas do 6 andar, arrastadas por carros, torturadas e bebês são jogados em lagoas ou latas de lixo".

7 palpites bem-vindos!:

Gil Grunwald disse...

ah meu..parece que tá se multiplicando sabe?
é cada semana uma história pior..uma pessoa pior..e nada para. nada muda..e o povo acostuma a achar tudo que é ruim normal.

é islâmico o bagulho mnha cara amiga.
ISLÂMICO.

a guerra não é mais contra a violência em si. e sim contra o ser humano.

'fernanda (sn) disse...

nossa. cada dia eu me assusto mais. mais o caso que mais me envolveu foi o do joao helio, com uma brutalidade inacessivel para o coração.
maldade, estupidez, vingança, raiva?
nada explica.

Mari Martins disse...

verdadee, cada vez mais nos acostumamos, achamos que é normal, que é mais um (me incluo, infelizmente). Droga.

Nicole disse...

a violência se tornou banal. mas, pára tudo, cara. arrastar crianças do lado de fora de carros, jogar meninas pela janela, martelar dedos e dentes de outra criança? a maldade está passando dos limites. como diz a gil, tá islâmico. oo'

Ana Carolina disse...

As pessoas simplesmente parecem ter se acostumado, aceitado situações assim. Perderam a capacidade de se espantar, sim!
Semana passada estava lendo o blog de uma menina. Textos interessantes e lá fui eu comentar. Quando vi um comentário da mesma no finalzinho do post sobre o caso da Isabella, dizendo que ela estava de saco cheio de tudo isso, que não aguentava mais o pvoo que só sabia falar disso, que devíamos deixar a menina em paz porque agora já era, já aconteceu!
Fechei a janela na mesma hora. Fiquei besta com tamanha insensibilidade da parte da garota. Que acho ridículo o sensacionalismo que fazem disso, eu acho, pois muitos acham legal ficar falando sobre, sem ter noção do que estão dizendo. Tem gente que acha legal se promover na desgraça alheia. Mas o comentário da menina do blog me espantou de verdade, a forma comjo ela ignora tudo isso. Tratando como algo banal, normal. É o tipo da pessoa que infelizmente, só mudará de idéia, se um dia vir a acontecer com ela!

Sobre a pergunta que vc me deixou no blog: arrependimentos todo mundo tem certo? Mas não me arrependo de nada grandioso. Nada que eu realmente queira voltar atrás e fazer diferente, pois até mesmo as besteiras que fiz até hoje, de uma forma ou de outra, me trouxeram um resultado bom no final, me trouxeram até aqui. Onde o saldo é positivo! =)

Beijos!

Ana Carolina disse...

Eita comentário GRANDE! *

Erica disse...

O problema é que tem gente que já tão acostumada com esse tipo de notícia,que nem se espanta mais.Eu particularmente fiquei bem abalada com a morte da Isabella.É muito desumano uma mãe enterrar uma filha.Ainda mais se tratando daquele anjinho que era Isabella.Rezo pra que a justiça seja feita.