O fato é que eu nunca pensei que você pudesse um dia me deixar. Não imaginei, nem por um minuto, que você pudesse não estar por perto. Sempre tive a certeza de que você faria parte dos momentos mais importantes e difíceis da minha vida. Tinha muita convicção quando imaginava que você sempre estaria lá para mim, para quando eu precisasse. A ideia da minha vida sem você era simplesmente inconcebível.
Não achei que isso pudesse ser alguma face oculta do meu egoísmo, afinal, em todas as incontáveis vezes em que você precisou de mim, era ao seu lado que eu estava. E se existissem milhares de quilômetros entre nós, como chegou a acontecer, eles não significariam nada, pois de uma forma ou de outra, era ao seu lado que eu estaria, te apoiando, levantando sua moral e te dando a mão para ultrapassar os caminhos mais difíceis.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
terça-feira, março 01, 2011
Memórias de uma medrosa
Ela tinha medo de escuro. Medo de envelhecer. Medo de ficar sozinha. Medo de se magoar. Medo de dizer não. Medo de se apaixonar. Medo de altura. Medo de aranhas. Medo de conhecer pessoas novas. Medo de mudanças. Medo de se arrepender. Medo de saber demais. Medo de nunca aprender. Medo de se apegar. Medo de nunca lembrar. Medo de sempre esquecer.
Tinha medo de deixar pra trás e medo de se envolver. Tinha medo de se perder, de se encontrar e também medo de amar. Levou uma vida com medo. Medo de adoecer, medo de enlouquecer, medo de se expressar e medo de se soltar demais. Tinha muito medo. Medo de baratas e de andar de avião. Tinha medo de nunca ser amada. Medo de agulhas e de ir ao médico, medo de andar sozinha e medo de multidões.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Sem nome.
É difícil olhar para qualquer coisa no mundo e não lembar de você. Ontem, no ônibus, chorei o caminho inteiro, até que consegui adormecer. Se ando na calçada, lembro do jeito como você sempre envolve meu corpo com o braço, e me puxa sempre para o lado de dentro da rua, para me proteger dos carros.
Se pego o ônibus para voltar para casa depois de um dia de trabalho, não consigo não pensar em todas as vezes que já pegamos este e tantos outros ônibus juntos. Em quantas vezes você me levou até em casa, só pra saber que eu ficaria bem. E em quantas vezes você me abraçava o caminho inteiro até chegar em casa e me deixava encaixar minha cabeça no lugarzinho entre seu ombro e seu pescoço, lugarzinho que é meu.
terça-feira, novembro 09, 2010
Só acontece comigo II
E aí que eu tinha um par de saltos altos (os mesmos da entrevista de São Caetano). Eles eram pretos e lindos. E eram meus há mais ou menos quatro anos. Eram praticamente novos, já que eu nunca tinha conseguido utilizá-los adequadamente, sem medo de ser feliz, ou de dar um passo. Ele saía do meu pé o tempo inteiro. Era um inferno. Mas ele era lindo. E a sola estava novinha de tão pouco uso.
Aí eu ganhei da minha mãe uma espécie de palmilha de silicone que fica só na parte da frente da planta do pé e é antiderrapante e confortável. E deixava a vida mais bonita. E na mesma semana eu fui numa loja de sapatos e comprei uma espécie de almofadinha pra colar na parte de trás do sapato, aquela que sempre machuca o pé das mulheres de bem. E aí o sapato parou de sair do meu pé. E a vida ficou mais colorida e eu fiquei mais elegante e feliz.
Aí eu ganhei da minha mãe uma espécie de palmilha de silicone que fica só na parte da frente da planta do pé e é antiderrapante e confortável. E deixava a vida mais bonita. E na mesma semana eu fui numa loja de sapatos e comprei uma espécie de almofadinha pra colar na parte de trás do sapato, aquela que sempre machuca o pé das mulheres de bem. E aí o sapato parou de sair do meu pé. E a vida ficou mais colorida e eu fiquei mais elegante e feliz.
sexta-feira, agosto 27, 2010
segunda-feira, julho 26, 2010
Só acontece comigo.
Se você já procurou emprego sabe que o processo de conseguir uma entrevista e realizá-la de forma perfeita é complicado e muito estressante. Tudo conta, desde o currículo que você envia, passando pela carta de apresentação, até às roupas que você usa no dia da entrevista e o modo como você se expressa. Deixar a bolsa no colo, entre você e o entrevistador, pode ser um mal negócio, não olhar nos olhos pode dar a impressão de que você não fala a verdade... e assim vai... Existem milhões de regras.
Entretanto, existem coisas que só acontecem comigo. Para quem não sabe, estou procurando emprego desde junho. Sou formada em jornalismo e tenho experiência em assessoria de imprensa, redação e etc. O mercado do jornalismo pode ser muito cruel e o nicho deste ramo que mais oferece vagas de emprego é o de assessoria de imprensa. Desandei a disparar e-mails com o meu currículo para inúmeras agências onde eu tivesse interesse em trabalhar.
Entretanto, existem coisas que só acontecem comigo. Para quem não sabe, estou procurando emprego desde junho. Sou formada em jornalismo e tenho experiência em assessoria de imprensa, redação e etc. O mercado do jornalismo pode ser muito cruel e o nicho deste ramo que mais oferece vagas de emprego é o de assessoria de imprensa. Desandei a disparar e-mails com o meu currículo para inúmeras agências onde eu tivesse interesse em trabalhar.
quarta-feira, junho 23, 2010
É.
Faltava pouco, quase nada. Mas quem, afinal, é bom em esperar?
Ela, definitivamente, não era. Não sabia sequer o que dizer, mas precisava dizer alguma coisa.
- É.
- É - ele respondeu, assustado pela manifestação repentina.
- Então acho que é isso - continuou ela.
- É - balbuciou ele nervosamente, claramente contrariado.
- Que pena - respondeu ela, tentando parecer o mais indiferente e gélida possível.
Ele pôde sentir aquela atitude e aquilo o machucou. Sentiu que iria dobrar o corpo, mas aguentou firme.
Enquanto isso, ela queria gritar, implorar para que fosse diferente e que tudo voltasse ao normal. Pediria desculpas, se assim fosse necessário. Aceitaria as dele, se ele as desejasse. Ela queria ser abraçada. Queria sentir o calor daquele corpo mais uma vez. Mas permaneceu impávida. Assim era ela.
- Acho que... - começou ele, sem saber como terminar.
- Então... tchau, eu acho. - Determinou ela, louca de vontade por ficar e não ir a lugar algum.
Ninguém se mexeu.
Olhavam nervosamente um para o outro, desviando os olhos, reparando em volta.
57 linhas no teto, ela já havia contado três vezes.
A garota torcia as mãos nervosamente. Estalou todos os dedos duas vezes e tentava a terceira, sem sucesso algum.
Sucesso. Essa era uma palavra que não pertencia a vida dela.
Ela, definitivamente, não era. Não sabia sequer o que dizer, mas precisava dizer alguma coisa.
- É.
- É - ele respondeu, assustado pela manifestação repentina.
- Então acho que é isso - continuou ela.
- É - balbuciou ele nervosamente, claramente contrariado.
- Que pena - respondeu ela, tentando parecer o mais indiferente e gélida possível.
Ele pôde sentir aquela atitude e aquilo o machucou. Sentiu que iria dobrar o corpo, mas aguentou firme.
Enquanto isso, ela queria gritar, implorar para que fosse diferente e que tudo voltasse ao normal. Pediria desculpas, se assim fosse necessário. Aceitaria as dele, se ele as desejasse. Ela queria ser abraçada. Queria sentir o calor daquele corpo mais uma vez. Mas permaneceu impávida. Assim era ela.
- Acho que... - começou ele, sem saber como terminar.
- Então... tchau, eu acho. - Determinou ela, louca de vontade por ficar e não ir a lugar algum.
Ninguém se mexeu.
Olhavam nervosamente um para o outro, desviando os olhos, reparando em volta.
57 linhas no teto, ela já havia contado três vezes.
A garota torcia as mãos nervosamente. Estalou todos os dedos duas vezes e tentava a terceira, sem sucesso algum.
Sucesso. Essa era uma palavra que não pertencia a vida dela.
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