terça-feira, março 01, 2011

Memórias de uma medrosa

Ela tinha medo de escuro. Medo de envelhecer. Medo de ficar sozinha. Medo de se magoar. Medo de dizer não. Medo de se apaixonar. Medo de altura. Medo de aranhas. Medo de conhecer pessoas novas. Medo de mudanças. Medo de se arrepender. Medo de saber demais. Medo de nunca aprender. Medo de se apegar. Medo de nunca lembrar. Medo de sempre esquecer.

Tinha medo de deixar pra trás e medo de se envolver. Tinha medo de se perder, de se encontrar e também medo de amar. Levou uma vida com medo. Medo de adoecer, medo de enlouquecer, medo de se expressar e medo de se soltar demais. Tinha muito medo. Medo de baratas e de andar de avião. Tinha medo de nunca ser amada. Medo de agulhas e de ir ao médico, medo de andar sozinha e medo de multidões.


sexta-feira, novembro 26, 2010

Sem nome.

É difícil olhar para qualquer coisa no mundo e não lembar de você. Ontem, no ônibus, chorei o caminho inteiro, até que consegui adormecer. Se ando na calçada, lembro do jeito como você sempre envolve meu corpo com o braço, e me puxa sempre para o lado de dentro da rua, para me proteger dos carros.

Se pego o ônibus para voltar para casa depois de um dia de trabalho, não consigo não pensar em todas as vezes que já pegamos este e tantos outros ônibus juntos. Em quantas vezes você me levou até em casa, só pra saber que eu ficaria bem. E em quantas vezes você me abraçava o caminho inteiro até chegar em casa e me deixava encaixar minha cabeça no lugarzinho entre seu ombro e seu pescoço, lugarzinho que é meu.


terça-feira, novembro 09, 2010

Só acontece comigo II

E aí que eu tinha um par de saltos altos (os mesmos da entrevista de São Caetano). Eles eram pretos e lindos. E eram meus há mais ou menos quatro anos. Eram praticamente novos, já que eu nunca tinha conseguido utilizá-los adequadamente, sem medo de ser feliz, ou de dar um passo. Ele saía do meu pé o tempo inteiro. Era um inferno. Mas ele era lindo. E a sola estava novinha de tão pouco uso.

Aí eu ganhei da minha mãe uma espécie de palmilha de silicone que fica só na parte da frente da planta do pé e é antiderrapante e confortável. E deixava a vida mais bonita. E na mesma semana eu fui numa loja de sapatos e comprei uma espécie de almofadinha pra colar na parte de trás do sapato, aquela que sempre machuca o pé das mulheres de bem. E aí o sapato parou de sair do meu pé. E a vida ficou mais colorida e eu fiquei mais elegante e feliz.


sexta-feira, agosto 27, 2010

Este blog pode virar um livro...



E vocês, vão ajudar?

Votar não custa nada, sabe?

Beijos!

segunda-feira, julho 26, 2010

Só acontece comigo.

Se você já procurou emprego sabe que o processo de conseguir uma entrevista e realizá-la de forma perfeita é complicado e muito estressante. Tudo conta, desde o currículo que você envia, passando pela carta de apresentação, até às roupas que você usa no dia da entrevista e o modo como você se expressa. Deixar a bolsa no colo, entre você e o entrevistador, pode ser um mal negócio, não olhar nos olhos pode dar a impressão de que você não fala a verdade... e assim vai...  Existem milhões de regras.

Entretanto, existem coisas que só acontecem comigo. Para quem não sabe, estou procurando emprego desde junho. Sou formada em jornalismo e tenho experiência em assessoria de imprensa, redação e etc. O mercado do jornalismo pode ser muito cruel e o nicho deste ramo que mais oferece vagas de emprego é o de assessoria de imprensa. Desandei a disparar e-mails com o meu currículo para inúmeras agências onde eu tivesse interesse em trabalhar.


quarta-feira, junho 23, 2010

É.

Faltava pouco, quase nada. Mas quem, afinal, é bom em esperar?
Ela, definitivamente, não era. Não sabia sequer o que dizer, mas precisava dizer alguma coisa.
- É.
- É - ele respondeu, assustado pela manifestação repentina.
- Então acho que é isso - continuou ela.
- É - balbuciou ele nervosamente, claramente contrariado.
- Que pena - respondeu ela, tentando parecer o mais indiferente e gélida possível. 
Ele pôde sentir aquela atitude e aquilo o machucou. Sentiu que iria dobrar o corpo, mas aguentou firme.
Enquanto isso, ela queria gritar, implorar para que fosse diferente e que tudo voltasse ao normal. Pediria desculpas, se assim fosse necessário. Aceitaria as dele, se ele as desejasse. Ela queria ser abraçada. Queria sentir o calor daquele corpo mais uma vez. Mas permaneceu impávida. Assim era ela.
- Acho que... - começou ele, sem saber como terminar.
- Então... tchau, eu acho. - Determinou ela, louca de vontade por ficar e não ir a lugar algum.
Ninguém se mexeu.
Olhavam nervosamente um para o outro, desviando os olhos, reparando em volta.
57 linhas no teto, ela já havia contado três vezes.
A garota torcia as mãos nervosamente. Estalou todos os dedos duas vezes e tentava a terceira, sem sucesso algum.

Sucesso. Essa era uma palavra que não pertencia a vida dela.

terça-feira, junho 08, 2010

Para. Para. Para. Para. Bens.

Eu não sei lidar com isso. De repente você está vivendo sua vida normalmente, acordando um dia após o outro e fazendo aquilo que você tem que fazer e que o mundo espera que você faça. E quando você menos espera, pronto. Chegou. E agora? Sempre fico completamente meio sem saber o que fazer. Já tentei encarar a situação de maneiras diversas. Todo ano invento uma maneira diferente para agir. E todo ano termina sendo igual. Ou melhor, a cada ano piora. Exceto pelo último. E eu sei que nada vai superar aquele último. Mas é muito complicado saber que dificilmente algo será melhor. A lembrança é maravilhosa, mas é difícil saber que você não pode esperar que algo seja melhor.

Depois de tantos anos ruins, eu queria que as coisas melhorassem sempre. Mas é sempre o contrário. Exceto pelo último. Confesso que ao ver como as outras pessoas lidam com isso me bate uma invejinha. Me dá uma pontinha de não-sei-o-quê. Incomoda. E dói um pouco. Por que as coisas precisam ser tão difíceis para mim sempre? Por que eu não posso ser normal de vez enquando, só para variar?

Ano passado o presente foi o melhor possível. E agora fico às voltas, com medo de perdê-lo. Aquele tipo de piada que Deus deve fazer vez ou outra. Aquelas coisas de dar e tirar. Fina irônia. Ele é bom nisso, acredite. Mas eu já sei dar valor a isso. Eu já sabia desde muito antes daquele dia. Eu esperei tanto por isso. Tive tanto tempo para me preparar. É impossível não reconhecer a importância que as coisas tomam na sua vida. E neste caso ainda mais.

E aí, fica essa coisa: quando chegará o dia? Quando eu vou ter de dizer "Adeus?". E o pior é que isso vêm quando você quer - mais do que nunca - dizer olá, olá, olá. Para sempre.

E então volta o fato de que eu não sei lidar com esse dia. Eu não sei lidar com esse acontecimento. Sou ótima conselheira quando é com a vida de outras pessoas. Mas não me peça para lidar bem com isso. Não hoje. Não nessa vida.

Neste ano a coisa meio que vem prometendo ser pior que sempre. Eu não pretendo ser pessimista. É apenas uma visão realista do que se passa hoje. Tantas coisas vão sendo perdidas. E por mais que eu corra, eu não consigo recuperar nada. E aí vai sobrando apenas uma vaga lembrança, como um desenho molhado, que aos poucos vai sumindo e cujo papel vai se despedaçando.

Sinto as coisas dentro de mim se despedaçarem a cada dia. E fora dela, então!? Ainda mais. E bem quando eu estou nessa ânsia de construir. E bem quando eu quero fazer.

E aí vem esse dia bobo. E teima em fazer tudo que já é difícil, ainda mais. Se pudesse dormir durante estas vinte e quatro horas sem acordar depois me sentindo ainda menor, mais sozinha e mais infeliz, eu dormiria. Eu não sei o que fazer, mas eu queria saber. Eu não sei como agir. Mas quero agir certo. Eu não sei como reagir, mas não quero reagir mal.

Eu queria um bolo. E uma bandejinha de brigadeiros. E guaraná. E bexigas.

E aí, hoje é um dia em que eu acredito em horóscopos. E - mais que nunca - quero mesmo acreditar. Você acredita em horóscopo?

- "Só quando as previsões são boas", respondo.

E aí ele diz, bem no finalzinho, como quem não quer nada. Como quem ia passando batido, contando tudo e esquecendo desse "detalhe". E aí, opa!, tem isso. E ele lembra e conta na última linha de tudo, como a última e mais necessária e esperada frase de todas. E me dá esperanças. "Final de fase difícil", o astrólogo escreveu. E eu quero acreditar. E eu me sinto inflar daquele sentimento que gela o estômago e que dá forças para continuar e não dormir durante vinte e quatro horas non stop; Dormirei ao menos por oito. A esperança veio graças a um astrólogo que nem usa barba de Merlin e nem usa um chápeu estrelado.

Ele simplesmente estava entediado e resolveu jogar a frase ali no finalzinho. Como que apenas para mexer com a minha vida. E sem sequer saber - ou às vezes sabendo, já que ele é astrólogo - remexe minha vida e dá esperança. Me dá vontade de continuar mais um pouquinho.

Então tá. Lá vou eu. Não posso falar por nós. Mas falo por esta garota de olhos vermelhos, úmidos e nariz ainda mais vermelho.Falo por esta garota descabelada, de moleton e que usa meia calça com uma meia soqueete cor de rosa por cima. Essa mesma que quer, pela primeira vez, poder ouvir "com quem será"
batendo palmas, sem esconder o rosto, nem chamar a mãe.

Feliz 22 outonos gelados (e gripados) para mim. *suspira*
Parabéns.